domingo, 13 setembro , 2026

Adoption Day: O lema de Anthony é cuidar para ser cuidado

Lily Farias
Braço do Norte

Neste sábado, o Notisul finaliza a série de reportagens que traz histórias de adoção. Nós abraçamos a causa internacional, o Adoption Day, para conscientizar a população da importância de oferecer a alguém uma oportunidade melhor na vida. A maioria das histórias que conhecemos de adoção é porque a família não tem condições de criar um filho, e em um determinado momento, com a criança recém-nascida ou mais velha, acaba, em ato de amor, doando aquele serzinho com a esperança de um futuro promissor. O amor é estranho às vezes, é assim mesmo, nos faz abrir mão de grandes coisas por um bem maior.

E sempre há alguém do outro lado esperando para dar continuidade ao amor, ele nunca acaba! É o caso da dona de casa Janete Julio Alberton, de 48 anos, de Braço do Norte. Depois de viver a “Síndrome do Ninho Vazio” com os dois filhos fazendo a vida independentemente, ela preencheu o ninho com a vinda de Anthony Alberton, hoje com 3 anos. 

“Foi providencial a chegada dele. Deus mandou um anjo de luz para dar alegria à minha família. Ele mudou nossa vida de um jeito que jamais imaginei e hoje o amo mais do que tudo”, conta Janete.
A história começou quando a mãe biológica de Anthony ainda estava grávida. A jovem, 20, e Janete sempre tiveram uma relação de proximidade. A menina enfrentava dificuldades na gestação e foi então que as duas curtiram a gravidez juntas.

“Ela ainda estava em período escolar e meu marido e eu a levávamos na escola, ajudávamos como podíamos porque sabíamos das dificuldades que enfrentava”, lembra Janete.

Quando Anthony nasceu, as dificuldades continuaram. “Ela continuou a estudar e eu cuidava do menino para ela ir à escola à noite. Muitas vezes Anthony esteve doente e, para não o tirar da cama, do conforto daquele momento, deixávamo-nos dormindo até o dia seguinte”, diz Janete.
Aos poucos, a mãe de coração foi abrindo o espaço em casa e, sem perceber, Anthony já tinha tomado conta da sua vida e do marido, Valdir Alberton, 46.

MUITAS DESCOBERTAS, NOVOS DESAFIOS
E neste convívio começaram as dificuldades da rotina. Pouco mais de dois anos depois de Anthony nascer, uma descoberta abalou o casal por ter que lidar com algo desconhecido: os médicos diagnosticaram autismo no menino.

“Nosso mundo caiu. Fiquei com medo de não estar à altura da atenção que ele precisava. Tenho uma idade mais avançada, o que será dele quando ficar mais velho? Não sei o dia de amanhã”, diz a mãe em tom de preocupação.

Janete e Valdir revelam que sempre notaram diferença no comportamento de Anthony. “Ele chorava mais do que o normal e nós não entendíamos, ele nunca falou, sempre se comunicou com gestos”, conta o casal.

Foi então que procuraram ajuda médica e hoje Anthony tem todo o tratamento que precisa. De manhã fica em casa com a mãe e divide as tardes entre a creche e as aulas na Apae, em Braço do Norte.

“Parei de trabalhar para cuidar dele, meu marido saiu do emprego para montar o próprio negócio e poder conciliar o horário de trabalho com os momentos com o Anthony”, relata Janete.

É UM AMOR QUE NUNCA ACABA
Quando Anthony nasceu, Janete passou pela primeira prova de fogo. Foi ela quem ficou com o menino nas primeiras horas ainda no hospital.  “Anthony precisou que alguém estivesse do lado dele. Eu fui. Fiquei parada admirando aquele ser tão pequeno. Teve uma hora que pareceu que não estava respirando. Chamei as enfermeiras e elas vieram na hora, depois ficou tudo bem. Mas pensei que ele ia morrer. Então pedi a Deus para não deixar nada acontecer com ele e fui ouvida”, lembra Janete.

O casal conta que teve que aprender a lidar com toda a situação e hoje se sente feliz e realizado por poder acolher mais do que um filho, uma criança cheia de sentimentos. Por conta do autismo Anthony tem momentos em que não está disposto a conversar com ninguém, em compensação, quando quer demostrar amor, faz questão de evidenciar o que nunca acaba.

Janete conta que Anthony tem uma ligação muito forte com ela, de cuidado extremo. “Quando está comigo ele não descansa, não dorme um soninho e quando está com outras pessoas ele relaxa. A psicóloga avalia isso como um ato de cuidado: Ele precisa de mim, então no pensamento dele tem que cuidar de mim como se eu fosse quebrar a qualquer momento”, finaliza.

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